Elvis Santos da Silva foi morto por policiais militares no Ibura, Zona Sul do Recife Reprodução/TV Globo O caminhoneiro Elvis Santos da Silva, de 35 anos, foi morto por policiais militares no Ibura, na Zona Sul do Recife, no sábado (26). Ele era natural do Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife, e tinha um bar na frente de casa, na Rua Cassiano Leite. A morte foi presenciada pela família, que mora na rua onde o caso aconteceu. Uma parente da vítima, que não quis se identificar, contou que os filhos gritaram pelo pai enquanto Elvis era agredido pelos policiais e alvejado. Testemunhas afirmam que o homem foi atingido por seis tiros, mas a polícia afirma que foram três disparos (entenda mais abaixo). ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE À TV Globo, a parente contou que os policiais agrediram a vítima com um murro no rosto e um chute no peito. Elvis correu para dentro de casa e tentou jogar uma grade de cerveja no policial que o espancou. "Nem bateu [no policial]. Jogou, mas não bateu", contou. Ela lembra que tentou defender Elvis, mas um policial a empurrou por cima das garrafas e atirou a primeira vez contra o caminhoneiro. Os filhos dele estavam na sala de casa quando o pai tentou fugir das agressões e gritou para que eles corressem. "O mais velho puxou os dois pequenininhos e ficou agarrado com eles dentro do quarto e viram aquilo tudinho. Viram tudinho", lembrou a parente de Elvis. Agora no g1 Ainda segundo a testemunha, o primeiro tiro atingiu a virilha de Elvis. Porém, após os policiais invadirem a casa dele, outros cinco disparos foram efetuados contra a vítima. "Seis tiros em um pai de família com os meninos dentro de casa gritando 'papai, papai, papai'. [...] Ainda me agarrei com o policial, dizendo 'faça isso não, porque é um pai de família, ele não é errado, não'. Mas ele estava com sede, com fome de derrubar qualquer um", lembrou. O velório de Elvis Santos da Silva foi marcado para as 11h desta segunda-feira (28), no Cemitério de Santo Amaro, no Centro do Recife. Policial chegou atirando De acordo com uma outra testemunha, um vizinho que também preferiu não se identificar, a confusão começou quando um policial militar apareceu sozinho e atirou para cima. Havia muitas crianças brincando na rua. "Eu estava na primeira parte, quando o policial desceu e deu o primeiro disparo. Foi quando Elvis foi chamar a atenção do policial, porque não teve bandido correndo, não teve nada. Ele reclamou com o policial, porque tinha muita criança na hora, brincando", contou a testemunha ao g1. Ainda segundo o vizinho, após Elvis reclamar com o policial, começou uma discussão com troca de ofensas. O agente deu um segundo tiro para cima e foi embora. Minutos depois, voltou em uma viatura com outros policiais militares. "Quando a gente viu a viatura descendo, teve a confusão. A gente escutou a confusão e daí, os disparos. Aí, todo mundo correu. E foi quando eu já vi ele no chão, já dentro da casa. Já estirado e com o filho dele, inclusive, em cima dele", disse ao g1. Os policiais colocaram Elvis na viatura e, segundo o vizinho, impediram que a esposa dele acompanhasse o socorro. Ela, então, pegou uma carona com outro morador da região e seguiu a viatura num segundo carro. "Os policiais chegaram a socorrer, mas, o rapaz que foi com a esposa dele atrás disse que os policiais ficaram dando muitas voltas, pegando contramão, subindo calçada, fazendo muitas voltas antes de levar ele diretamente para a UPA [Unidade de Pronto-Atendimento]. Em vez de levar ele diretamente para a UPA da Imbiribeira, ficaram dando muitas voltas no carro, demoraram com o socorro", disse. O que diz a polícia A Polícia Civil registrou a ocorrência pela Força-Tarefa de Homicídios da Capital. As investigações são realizadas pela 3ª Delegacia de Homicídios do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). O g1 teve acesso ao Boletim de Ocorrência (B.O.) do caso. De acordo com o registro, um homem estava sendo abordado pela suspeita de estar com drogas, e foram encontradas duas pedras de crack com ele, que foi identificado Renan Eduardo Costa da Silva. Conforme o BO, a vítima baleada não tinha relação com essa abordagem da PM, mas estava próxima e se envolveu ao xingar os policiais. Os PMs alegaram que Elvis parecia "alcoolizado e bastante alterado". Por meio de nota, a PM informou que "imediatamente após a intervenção, o efetivo realizou o socorro até a UPA da Imbiribeira, onde ele recebeu atendimento médico, porém não resistiu aos ferimentos e veio a óbito na unidade de saúde". Como essa morte está relacionada à intervenção policial, o g1 questionou a Polícia Civil se a Corregedoria Geral da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS) instaurou um procedimento para acompanhar as investigações policiais, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias
Caminhoneiro morto por PMs teve casa invadida e foi baleado na frente dos filhos pequenos, diz testemunha
Escrito em 28/09/2026
Elvis Santos da Silva foi morto por policiais militares no Ibura, Zona Sul do Recife Reprodução/TV Globo O caminhoneiro Elvis Santos da Silva, de 35 anos, foi morto por policiais militares no Ibura, na Zona Sul do Recife, no sábado (26). Ele era natural do Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife, e tinha um bar na frente de casa, na Rua Cassiano Leite. A morte foi presenciada pela família, que mora na rua onde o caso aconteceu. Uma parente da vítima, que não quis se identificar, contou que os filhos gritaram pelo pai enquanto Elvis era agredido pelos policiais e alvejado. Testemunhas afirmam que o homem foi atingido por seis tiros, mas a polícia afirma que foram três disparos (entenda mais abaixo). ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE À TV Globo, a parente contou que os policiais agrediram a vítima com um murro no rosto e um chute no peito. Elvis correu para dentro de casa e tentou jogar uma grade de cerveja no policial que o espancou. "Nem bateu [no policial]. Jogou, mas não bateu", contou. Ela lembra que tentou defender Elvis, mas um policial a empurrou por cima das garrafas e atirou a primeira vez contra o caminhoneiro. Os filhos dele estavam na sala de casa quando o pai tentou fugir das agressões e gritou para que eles corressem. "O mais velho puxou os dois pequenininhos e ficou agarrado com eles dentro do quarto e viram aquilo tudinho. Viram tudinho", lembrou a parente de Elvis. Agora no g1 Ainda segundo a testemunha, o primeiro tiro atingiu a virilha de Elvis. Porém, após os policiais invadirem a casa dele, outros cinco disparos foram efetuados contra a vítima. "Seis tiros em um pai de família com os meninos dentro de casa gritando 'papai, papai, papai'. [...] Ainda me agarrei com o policial, dizendo 'faça isso não, porque é um pai de família, ele não é errado, não'. Mas ele estava com sede, com fome de derrubar qualquer um", lembrou. O velório de Elvis Santos da Silva foi marcado para as 11h desta segunda-feira (28), no Cemitério de Santo Amaro, no Centro do Recife. Policial chegou atirando De acordo com uma outra testemunha, um vizinho que também preferiu não se identificar, a confusão começou quando um policial militar apareceu sozinho e atirou para cima. Havia muitas crianças brincando na rua. "Eu estava na primeira parte, quando o policial desceu e deu o primeiro disparo. Foi quando Elvis foi chamar a atenção do policial, porque não teve bandido correndo, não teve nada. Ele reclamou com o policial, porque tinha muita criança na hora, brincando", contou a testemunha ao g1. Ainda segundo o vizinho, após Elvis reclamar com o policial, começou uma discussão com troca de ofensas. O agente deu um segundo tiro para cima e foi embora. Minutos depois, voltou em uma viatura com outros policiais militares. "Quando a gente viu a viatura descendo, teve a confusão. A gente escutou a confusão e daí, os disparos. Aí, todo mundo correu. E foi quando eu já vi ele no chão, já dentro da casa. Já estirado e com o filho dele, inclusive, em cima dele", disse ao g1. Os policiais colocaram Elvis na viatura e, segundo o vizinho, impediram que a esposa dele acompanhasse o socorro. Ela, então, pegou uma carona com outro morador da região e seguiu a viatura num segundo carro. "Os policiais chegaram a socorrer, mas, o rapaz que foi com a esposa dele atrás disse que os policiais ficaram dando muitas voltas, pegando contramão, subindo calçada, fazendo muitas voltas antes de levar ele diretamente para a UPA [Unidade de Pronto-Atendimento]. Em vez de levar ele diretamente para a UPA da Imbiribeira, ficaram dando muitas voltas no carro, demoraram com o socorro", disse. O que diz a polícia A Polícia Civil registrou a ocorrência pela Força-Tarefa de Homicídios da Capital. As investigações são realizadas pela 3ª Delegacia de Homicídios do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). O g1 teve acesso ao Boletim de Ocorrência (B.O.) do caso. De acordo com o registro, um homem estava sendo abordado pela suspeita de estar com drogas, e foram encontradas duas pedras de crack com ele, que foi identificado Renan Eduardo Costa da Silva. Conforme o BO, a vítima baleada não tinha relação com essa abordagem da PM, mas estava próxima e se envolveu ao xingar os policiais. Os PMs alegaram que Elvis parecia "alcoolizado e bastante alterado". Por meio de nota, a PM informou que "imediatamente após a intervenção, o efetivo realizou o socorro até a UPA da Imbiribeira, onde ele recebeu atendimento médico, porém não resistiu aos ferimentos e veio a óbito na unidade de saúde". Como essa morte está relacionada à intervenção policial, o g1 questionou a Polícia Civil se a Corregedoria Geral da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS) instaurou um procedimento para acompanhar as investigações policiais, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

